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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

TIPOS DE PREGADORES


TIPOS DE PREGADORES


Para a classificação dos pregadores, hoje em dia existem várias formas e vários critérios de classificação. Algumas classificações são positivas e outras classificações são totalmente negativas. Aqui selecionei algumas destas classificações e as apresentei para o nosso conhecimento.

1.   Classificação
·Pregadores mestres: são pregadores essencialmente explicativos e detalhistas. Explicam de forma especial as escrituras e as verdades bíblicas. Nas suas pregações trazem uma análise minuciosa dos textos (versículos ou capítulos) e abordam os temas da forma mais detalhada e completa possível. Muitas vezes são racionais no estilo, querem simplificar e descomplicar os textos mais complicados das escrituras durante as suas pregações. Eles usam muitas vezes o sermão expositivo ou versículo por versículo. Haddon cita exemplos de alguns pregadores deste grupo: John Stott, John Ortberg, John MacArthur, KellerJack e Timothy Hayford.

·Pregadores mensageiros: são os pregadores que sobem no púlpito com o coração em chamas e muitas vezes não obedecem uma lógica seqüencial nos seus sermões. A grande preocupação deles não são os detalhes do texto, mas a grande verdade contida no texto e que eles querem transmitir. Quase sempre são fervorosos e dramáticos, apresentam algumas questões audaciosas e chamam para uma reação holística. Enquanto os pregadores mestres mais a parte esquerda do cérebro, referindo-se a pequenos detalhes e construindo seus sermões com muitos tijolos, os pregadores mensageiros usam o cérebro direito, usando grandes blocos de construção. Haddon cita alguns exemplos: Billy Graham, Gardner Taylor, Jeremiah Wright, Robert Smith Jr., Karl Barth e Martinho Lutero.

·Pregadores indutivos: Haddon coloca que este grupo de pregadores tem uma convicção distinta de que as necessidades dos ouvintes são mais importantes e que a pregação precisa ser relevante para eles. Este grupo parte de onde está o povo, isto é, das suas necessidades e volta às Escrituras para achar o texto apropriado. E esta pregação pode ser de ordem evangelística, doutrinal, apologética, pastoral ou política. Entre eles estão: Bob Russel, John Maxwell, Brian MacLaren, Rick Warren, Bill Hybels.

·Pregadores narrativos: são os pregadores que usam experiências pessoais e histórias bíblicas para falarem de Cristo de uma forma profunda. Assim como Jesus fazia com as parábolas, assim também eles fazem, cativando o povo na simplicidade e na profundidade do que fazem. Entre eles Haddon coloca: Calvin Miller, Max Lucado, Lee Strobel, Barbara Brown Taylor e Eugene Lowry.
É importante portanto sabermos que alguns pregadores conseguem pertencer a dois grupos diferentes.

2.   Classificação

·Pregadores que estão preocupados com o profundo conhecimento: são os tipos de pregadores que têm como maior preocupação fornecer informações adicionais e explicativas sobre o texto e o contexto a ser pregado.
·Pregadores que estão preocupados com profundas revelações: destes atualmente temos bastante, para eles não existe pregação sem as consideradas revelações, que nem sempre são revelações bíblicas. Alguns conseguem extrai revelações bíblicas e equilibradas, mas os outros pregadores deste grupo forçam tanto o texto bíblico que chegam até a encontrar revelações onde não existem revelações e nem há revelações.

·Pregadores que estão preocupados com profundas verdades bíblicas: Este grupo, na pregação o que mais lhes importa e o que mais eles querem expor são as verdades espirituais contidos no texto. Lições morais e espirituais que edificam e levam a maturação.

·Pregadores que estão preocupados com o profundo toque do Espírito Santo: Há alguns pregadores que não se importam com conhecimentos, verdades profundas ou revelações, o que eles querem ver é o Espírito Santo tocando a platéia.



3.   Classificação
·          Pregadores Emotivos: São pregadores que durante a pregação deles apelam mais para o lado emocional, são movidos pelas emoções e é tudo na base das emoções. Manifestam todas suas emoções e se entregam totalmente as suas emoções, sem domínio próprio e nem equilíbrio.

·          Pregadores Intelectuais: São os pregadores que só trabalham o lado intelectual do povo, eles mesmos tendem a ser hiper intelectuais e gostam de transparecer isto.

·          Pregadores Hiper Espirituais: São aqueles que tendem a manifestar uma alta e grande espiritualidade (muitas vezes mesmo não tendo nenhuma). Gostam amedrontar e intimidar o povo com supostas atitudes espirituais, mas de forma totalmente desequilibrada.


·          Pregadores Carnais: Infelizmente existem alguns pregadores totalmente carnais, a pregação deles é totalmente carnal e transmitem a carnalidade à igreja toda.

·          Pregadores Equilibrados: além destes citados, existem também aqueles pregadores que são equilibrados.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

AS 10 COISAS QUE TODO PREGADOR DEVE EVITAR

AS 10 COISAS QUE TODO PREGADOR DEVE EVITAR 


  1. Soberba
  2. Arrogância 
  3. Mentira
  4. Ganância 
  5. Auto-suficiência 
  6. Hipocrisia
  7. Carnalidade 
  8. Insensibilidade 
  9. Lascívia
  10. Acomodação

OS 10 NUNCAS DE TODO PREGADOR BÍBLICO

OS 10 NUNCAS DE TODO PREGADOR BÍBLICO
  1. Nunca destorcer o texto bíblico.
  2. Nunca forçar o texto bíblico.
  3. Nunca ir além do que Deus realmente está ensinando no texto bíblico. 
  4. Nunca omitir a verdade do texto bíblico. 
  5. Nunca usar o texto bíblico para enganar as pessoas ou manipulá-las. 
  6. Nunca transmitir filosofias e psicologias humanas como se fossem a verdade do texto bíblico. 
  7. Nunca pregar o que eu mesmo não pratico ou não estou disposto a praticar. 
  8. Nunca pregar para glorificar o homem ou um nome humano.
  9. Nunca pregar para enviar recados ou lançar piadas. 
  10. Nunca pregar com o intuito de dividir ou destruir. 

AS 10 REGRAS PARA TODO PREGADOR BÍBLICO

AS 10 REGRAS PARA TODO PREGADOR BÍBLICO

  1. Sempre pregar a Palavra.
  2. Sempre praticar o que prega.
  3. Sempre ouvir a Deus antes de pregar.
  4. Sempre buscar mais intimidade com Deus.
  5. Sempre ser fiel a Deus e as Escrituras. 
  6. Sempre ser a voz de Deus para o povo de Deus.
  7. Sempre ter muito cuidado comigo mesmo e com a Palavra que prego.
  8. Sempre glorificar a Deus na minha vida e nas minhas pregações.
  9. Sempre ser canal e instrumento de Deus. 
  10. Sempre ser humilde e grato diante de Deus e diante de todos.

10 CONSELHOS PARA UM JOVEM PREGADOR


10 CONSELHOS PARA UM JOVEM PREGADOR


  1. Seja um jovem temente a Deus.
  2. Seja um jovem que lê, estuda e medita cuidadosamente a Palavra de Deus.
  3. Seja um jovem que tem vida de oração e jejum.
  4. Seja um jovem que tem a vida buscar sempre a Deus.
  5. Seja um jovem que quer sempre mais comunhão e intimidade com Deus.
  6. Seja um jovem que sempre quer aprender mais de Deus.
  7. Seja um jovem que sempre quer ouvir a Deus.
  8. Seja um jovem que sempre quer servir mais a Deus.
  9. Seja um jovem que sempre segue os bons exemplos dos bons servos de Deus. 
  10. Seja um jovem que sempre está disposto a ouvir bons conselhos e corrigir-se quando for preciso. 

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

PERGUNTAS FUNDAMENTAIS AO LONGO DO MINISTÉRIO



PERGUNTAS FUNDAMENTAIS AO LONGO DO MINISTÉRIO

Eu tenho pensado muito sobre o ministério e tenho analisado muito sobre a caminhada ministerial, depois de muitas observações e inquietações, concluí que um bom ministro de Cristo deve sempre ser prudente e vigilante ao longo de toda sua caminhada ministerial.
Existem muitos ministros que acabaram se desviando ao longo do exercício ministerial e existem muitos que acabaram se esfriando e permitindo que outras coisas dominem o coração e o ministério. Alguns já começam de forma errada, mas existem outros que começam bem e acabam se corrompendo durante a caminhada. Quando um ministro se corrompe nem sempre ele mesmo se dá conta do acontecido, muitas vezes outras pessoas é que notam primeiro. Em alguns outros casos, o ministro se corrompe, ele mesmo sabe, mas ninguém mais se apercebe disso, ele continua mantendo a sua posição diante das pessoas e continua fazendo tudo como se ainda tivesse o mesmo coração ou as mesmas motivações.
Por causa desta necessidade de estarmos sempre vigilantes sobre a maneira como estamos servindo a Deus, formulei algumas perguntas que um bom ministro deve sempre fazer-se, eis aqui algumas delas:

·        Será que ainda continuo servindo verdadeiramente a Deus?
·        Será que ainda continuo tendo motivações bíblicas?
·        Será que ainda continuo pregando o verdadeiro evangelho?
·        Será que ainda continuo tendo intimidade com Deus?
·        Será que ainda continuo amando verdadeiramente a Deus?
·        Será que ainda continuo seguindo a direção de Deus.
·        Será que ainda continuo ouvindo a voz do Espírito Santo?
·        Será que ainda tenho a bênção de Deus sobre mim?
·        Será que ainda tenho a aprovação de Deus?
·        Será que ainda continuo buscando a glória de Deus?
·        Será que ainda continuo sendo um instrumento de Deus?
·        Será que ainda continuo usando os métodos de Deus?
·        Será que ainda continuo tendo os sentimentos de Cristo?
·        Será que ainda continuo na visão que recebi de Deus?
·        Será que ainda continuo cumprindo a missão que recebi de Deus?
·        Será que ainda continuo temendo a Deus?
·        Será que ainda continuo obedecendo a Deus?
·        Será que ainda continuo agradando a Deus?
·        Será que ainda continuo no caminho certo?
·        Será que ainda continuo confiando em Deus?
·        Será que ainda continuo crendo nas promessas de Deus?
·        Será que ainda continuo colocando Deus em primeiro lugar?
·        Será que ainda continuo tendo um coração sedento por Deus?
·        Será que ainda continuo tendo Deus como o detentor o trono do meu coração?
·        Será que ainda continuo buscando a Deus?
·        Será que ainda continuo sendo cristão diante de Deus?
·        Será que ainda continuo sendo adorador diante de Deus?
·        Será que ainda continuo sendo servo diante de Deus?
·        Será que ainda continuo sendo humilde diante de Deus?
·        Será que ainda continuo amando a Palavra de Deus?
·        Será que ainda continuo amando a oração?
·        Será que ainda continuo amando a presença de Deus?
·        Será que ainda continuo amando o meu próximo?
·        Será que ainda tenho o meu coração puro diante de Deus?


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O POVO QUE CONHECE SEU DEUS


o povo que conhece
seu Deus

Eu passeava ao sol com um professor que havia perdido efetivamente suas possibilidades de avanço na carreira acadêmica, por ter entrado em choque com os dignitários da Igreja a respeito do evangelho da graça. "Mas isso não tem importância", afirmou, "pois eu conheci a Deus, e eles não". Essa declaração foi um mero parêntese, um comentário a respeito de algo que eu tinha dito, mas que me ficou gravado na mente e me fez pensar.
Não creio que muitos de nós possamos dizer com espontaneidade que conhecemos a Deus. Essas palavras implicam uma experiência definitiva e verdadeira, à qual, se formos sinceros, temos de admitir que somos ainda estranhos. Afirmamos isso talvez para dar testemunho e poder contar a história de nossa conversão como o melhor deles: dizemos que conhecemos a Deus — isto, afinal de contas, é o que se espera que os evangélicos digam. No entanto, será que nos ocorreria dizer, sem hesitação, e em referência a acontecimentos particulares de nossa história pessoal, que realmente conhecemos a Deus? Duvido, pois suspeito de que para a maioria de nós a experiência de Deus jamais foi assim tão vivida.
Penso que muitos de nós nem poderíamos dizer com naturalidade que as decepções do passado e as tristezas do presente, como as vê o mundo, são irrelevantes quando comparadas ao conhecimento de Deus que viemos a alcançar. A realidade, porém, é que para muitos de nós elas têm significado real, são nossas "cruzes" (como as chamamos). Ficamos constantemente entristecidos, amargurados e apáticos quando nos lembramos delas, o que fazemos com freqüência. A atitude que mostramos ao mundo é um tipo de estoicismo frio, a quilômetros de distância da alegria "indizível e gloriosa" que Pedro confiava estarem sentindo todos seus leitores (lPe 1:8). "Pobres almas", nossos amigos dizem a nosso respeito, "como têm sofrido" — e é justamente isso o que sentimos!
Essa tendência para fazer o papel de mártir, porém, não tem lugar na mente de quem conhece a Deus de fato. Eles nunca se preocupam com o que poderia ter sido; nunca pensam nas coisas que perderam, apenas nos ganhos. "Mas o que para mim era lucro, passei a considerar como perda, por causa de Cristo", escreveu Paulo. "Mais do que isso, considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem perdi todas as coisas. Eu as considero como esterco para poder ganhar a Cristo e ser encontrado nele [...] Quero conhecer Cristo [...]" (Fp 3:7-10).
Quando Paulo diz que considera "esterco" tudo o que perdeu, não só afirma que não dá nenhum valor a essas coisas, mas que tampouco permanecem constantemente em seus pensamentos. Que pessoa normal passa seu tempo sonhando nostalgicamente com esterco? Entretanto, é o que na realidade muitos de nós fazemos, e isso mostra como temos pouco conhecimento de Deus.

Conhecimento retórico versus conhecimento real
É necessário fazer uma auto-análise sincera neste ponto. Somos, talvez, evangélicos ortodoxos. Podemos explicar o evangelho com clareza e podemos sentir o cheiro de doutrina falsa a quilômetros de distância. Se alguém nos perguntar como os homens podem conhecer a Deus, de imediato apresentamos a fórmula certa: que chegamos ao conhecimento de Deus mediante Jesus Cristo, o Senhor, graças à cruz e a sua mediação, confiados nas promessas de sua palavra, pelo poder do Espírito Santo, por meio do exercício pessoal da fé.
Entretanto, a alegria, a bondade, a liberdade de espírito, que constituem as marcas de quem conhece a Deus, são raras em nosso meio — mais raras talvez do que em outros círculos cristãos, onde, se fizermos uma comparação, a verdade do evangelho não é conhecida com tanta clareza e tão completamente. Aqui também pareceria que os últimos poderiam ser os primeiros e os primeiros, os últimos. Um pequeno conhecimento de Deus vale bem mais que um grande conhecimento a respeito dele.
Para salientar melhor este ponto, quero dizer duas coisas:
1. Pode-se saber bastante sobre Deus sem conhecê-lo muito. Tenho a certeza de que muitos de nós nunca pensamos realmente nisto. Descobrimos em nós um profundo interesse pela teologia (que é, por sinal, uma ssunto dos mais fascinantes e intrigantes — no século xvii era o passatempo de todos os cavalheiros). Lemos livros de exposição teológica e apologética; aprofundamo-nos na história cristã e estudamos o credo cristão; aprendemos a descobrir nosso caminho nas Escrituras.
Outros apreciam nosso interesse por essas coisas e somos convidados a dar nossa opinião em público a respeito de diversas questões cristãs, a dirigir grupos de estudo, escrever artigos, fazer conferências e geralmente aceitar responsabilidade, formal ou informal, de agir como mestres e árbitros da ortodoxia em nosso círculo cristão. Nossos amigos nos dizem como apreciam essa contribuição e isso nos leva a explorar mais ainda as verdades de Deus, de modo a podermos atender às exigências que nos fazem.
Tudo isso é muito bom. Entretanto, o interesse em teologia — conhecimento sobre Deus — e a capacidade de pensar com clareza e falar bem sobre temas cristãos não são o mesmo que conhecer a Deus. Podemos saber tanto quanto Calvino a respeito de Deus — na verdade, se estudarmos suas obras com diligência, cedo ou tarde isso vai acontecer —, contudo durante todo o tempo (ao contrário de Calvino) saberemos bem pouco a respeito de Deus.
2. Pode-se saber bastante sobre piedade sem ter muito conhecimento de Deus. Isso depende dos sermões ouvidos, dos livros lidos e do círculo de amigos. Nesta era analítica e tecnológica não faltam livros nas bibliotecas das igrejas, nem sermões nos púlpitos sobre como orar, testemunhar, ler a Bíblia, dar ó dízimo, ser um jovem cristão, ser um velho cristão, ser um cristão feliz, tornar-se consagrado, levar pessoas a Cristo, receber o batismo do Espírito Santo (ou, em alguns casos, como evitar esse batismo), falar em línguas (ou como explicar satisfatoriamente a manifestação do Pentecostes) e geralmente como cumprir todo o programa que os professores em questão associam com a vida do crente. Tampouco faltam biografias narrando as experiências dos cristãos do passado para nosso exame atento e interessado.
Independentemente do que se diga sobre a questão, é certamente possível aprender muito, de segunda mão, sobre a prática cristã. Além disso, se alguém tiver uma boa dose de senso comum pode fazer uso do que aprendeu para ajudar cristãos vacilantes, de temperamento menos estável, a readquirir firmeza e desenvolver o senso analítico quanto a suas dificuldades, ganhando deste modo para si mesmo a reputação de bom pastor. Entretanto, alguém pode ter tudo isso e não conhecer realmente a Deus.
Voltamos, então, ao ponto em que começamos. Não está em jogo a questão de sermos bons em teologia, ou "equilibrados" (palavra horrível e pretensiosa), em nossa abordagem dos problemas da vida cristã. O caso é este: podemos dizer, com simplicidade e franqueza, não porque sentimos ser nosso dever como evangélicos, mas por tratar-se de um fato real, que conhecemos a Deus, e que por esse conhecimento os despra-zeres que tivemos ou os prazeres que não tivemos, pelo fato de sermos cristãos, não nos afetam? Se conhecêssemos realmente a Deus, seria isto o que estaríamos dizendo, e se não o fazemos, significa que precisamos encarar com mais precisão a diferença entre conhecer a Deus e o mero conhecimento sobre ele.
Evidência do conhecimento de Deus
Dissemos que quando um homem conhece a Deus as perdas e as "cruzes" deixam de ter importância; o que ele ganhou simplesmente afasta-lhe da mente essas coisas. Que outros efeitos o conhecimento de Deus produz nos homens? Várias partes das Escrituras respondem a esta pergunta apresentando diferentes pontos de vista, mas talvez a resposta mais clara e direta seja aquela encontrada no livro de Daniel. Podemos resumir esse testemunho em quatro proposições:
1. Os que conhecem a Deus têm grande força por meio dele. Em um dos capítulos proféticos de Daniel lemos: "o povo que conhece ao seu Deus se esforçará e fará proezas" (11:32; arc). A versão revista e atualizada diz: "o povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e ativo". No contexto esta definição inicia com "mas" e faz o contraste entre a atividade do "ser desprezível" (v. 21) que estabelecerá o "sacrilégio terrível" e corromperá com palavras suaves e lisonjas aqueles cuja lealdade ao Deus da aliança tenha falhado (v. 31,32). Isto nos mostra que aquele que conhece a Deus toma a atitude de reagir à tendência antideus que vê operando a seu redor. Não consegue descansar enquanto seu Deus é desafiado ou desprezado, sente que precisa fazer alguma coisa. A desonra imposta ao nome de Deus o impele à ação.
É exatamente isso que vemos acontecer nos capítulos de Daniel, onde são narradas as "proezas" do profeta e de seus três amigos. Eram homens que conheciam a Deus e, em conseqüência, sentiam-se compelidos, de tempos em tempos, a posicionar-se ativamente contra as convenções e os preceitos da irreligião e da falsa religião. Daniel, em particular, mostra-se incapaz de relevar esse tipo de situação; sente-se obrigado a desafiá-la abertamente. Em lugar de correr o risco de tornar-se ritualmente impuro ao consumir as iguarias do palácio, ele insiste em uma dieta vegetariana, para grande consternação do chefe dos oficiais da corte (1:8-16).
Quando Dario proibiu, sob pena de morte, que fossem feitas orações durante um mês, Daniel não só continuou orando três vezes ao dia, voltado para Jerusalém, como também o fazia diante de uma janela aberta, de modo que qualquer pessoa pudesse ver o que estava fazendo (6:10). Isto me fez lembrar o bispo Ryle1 inclinando-se para a frente em
1John Charles Ryle (1816-1900), ministro ordenado da Igreja Anglicana, foi indicado em 1880 o primeiro bispo da recém-criada diocese de Liverpool (Inglaterra). Escritor prolífico de livros de caráter devocional, suas obras refletem profunda influência puritana. Era extremamente zeloso pela sã doutrina em uma época em que sua igreja havia posto de lado a própria confissão de fé denominada Trinta e nove artigos de religião.

seu assento na Catedral de São Paulo para que todos pudessem ver que ele não se virava para o leste na hora do credo! Tais gestos não devem ser mal interpretados. Não é que Daniel, ou o bispo Ryle, fossem pessoas desagradáveis ou intratáveis que tivessem prazer na rebelião e só se sentissem felizes se provocassem acintosamente o governo. Significa apenas que quem conhece seu Deus é sensível às situações em que a verdade e a honra de Deus são direta ou tacitamente prejudicadas. Assim, em vez de, por negligência, deixar que tudo continue como está, força a atenção dos homens para o assunto e procura levá-los a mudar de atitude — mesmo que possa sofrer algum risco pessoal.
Essa força por Deus não se resume em atitudes públicas, na realidade também não começa aí. Os homens que conhecem seu Deus são, antes de tudo, homens de oração, e o primeiro ponto em que seu zelo e sua força para a glória de Deus são expressos é nas orações. Em Daniel 9, lemos como o profeta, ao entender "pelas Escrituras" que o tempo do cativeiro de Israel estava chegando ao fim e compreendendo igualmente que o pecado da nação ainda era tal que poderia levar Deus a condená-la em vez de ter misericórdia, decidiu-se a buscar a Deus "com orações e súplicas, em jejum, em pano de
saco e coberto de cinza" (v. 3). Daniel orou pela restauração de Jerusalém com veemência, paixão e agonia de espírito às quais muitos de nós somos completamente estranhos.
Ainda mais, o fruto invariável do verdadeiro conhecimento de Deus é a força para orar pela causa divina — força, na verdade, que só poderá encontrar saída e alívio da tensão interna quando canalizada em tal tipo de oração. Quanto maior o conhecimento, maior a energia! Este pode ser um teste para nós. Talvez não estejamos em posição de realizar atos públicos contra a incredulidade e a apostasia; talvez sejamos velhos ou doentes, ou de algum modo limitados por nossa condição física. Todos, porém, podemos orar a respeito da incredulidade e apostasia que nos rodeia diariamente. Se, entretanto, houver pouca energia nessa oração e, conseqüentemente, pouca prática, é com certeza o sinal de que ainda conhecemos bem pouco nosso Deus.
2. Os que conhecem a Deus pensam grandes coisas sobre ele. Não há espaço suficiente aqui para reunir tudo o que o livro de Daniel nos diz sobre a sabedoria, o poder e a verdade do grande Deus que comanda a história e mostra sua soberania em atos de condenação e misericórdia para com indivíduos e nações, de acordo com sua vontade. É suficiente dizer que não há talvez em toda a Bíblia outra apresentação mais vivida ou firmada dos muitos aspectos da realidade da soberania de Deus.
Em face do poder e do esplendor do Império Babilônico, que engolfou a Palestina, e da perspectiva de outros grandes impérios mundiais que se seguiriam, minimizando Israel segundo qualquer padrão humano de cálculo, o livro todo relembra de forma dramática que o Deus de Israel é Rei dos Reis e Senhor dos Senhores. Lembra também que "os Céus dominam" (4:26); que a mão de Deus está na história em todos os momentos; que a história, na verdade, não é nada mais que "sua história", o desdobramento de seu plano eterno, e que o reino triunfante, no final, será o reino de Deus.
A verdade central — que "o Altíssimo domina sobre os reinos dos homens" (4:25; cf. 5:21) — foi ensinada por Daniel a Nabucodonosor nos capítulos 2 e 4, e também a Belsazar no capítulo 5 (v. 18-23), verdade essa que Nabucodonosor reconheceu no capítulo 4 (v. 34-37) e que Dario confessou no capítulo 6 (v. 25-27). Ela também foi a base para as orações de Daniel nos capítulos 2 e 9 e de sua confiança ao desafiar a autoridade nos capítulos 1 e 6, e de seus amigos, que agiram do mesmo modo no capítulo 3. Essa verdade se constituiu na matéria-prima de toda a revelação que Deus fez a Daniel nos capítulos 2,4,7,8,10,11 e 12.
Deus sabe e prevê todas as coisas, e sua presciência é predestinação. Ele, portanto, terá a última palavra, tanto na história como no destino de cada homem; seu reino e sua justiça finalmente triunfarão, pois nem os homens, nem os anjos poderão opor-se a ele.
Eram esses os pensamentos sobre Deus que tomavam a mente de Daniel, como testemunham suas orações (sempre a melhor evidência da idéia que o homem tem de Deus):
Louvado seja o nome de Deus para todo o sempre; a sabedoria e o poder a ele pertencem. Ele muda as épocas e as estações; destrona reis e os estabelece. Dá sabedoria aos sábios [...] conhece o que jaz nas trevas, e a luz habita com ele" (2:20,21,22). Ó Senhor, Deus grande e temível, que manténs a tua aliança de amor com todos aqueles que te amam e obedecem aos teus mandamentos [...] Senhor, tu és justo [...] O Senhor nosso Deus é misericordioso e perdoador [...] O Senhor, o nosso Deus, é justo em tudo o que faz [...] (9:4,7,9,14).
É assim que pensamos sobre Deus? É essa a idéia de Deus que nossas orações expressam? Será que essa tremenda consciência de siia santa majestade, perfeição moral e graciosa fidelidade nos mantém humildes e dependentes, respeitosos e obedientes, como acontecia com Daniel? Por este teste podemos também medir quanto ou quão pouco conhecemos a Deus.
3. Os que conhecem a Deus são ousados por causa dele. Daniel e seus amigos eram homens que aceitavam riscos. Isso não era temeridade. Eles sabiam o que estavam fazendo, tinham calculado o preço e considerado o perigo. Sabiam qual seria o resultado de suas ações, a menos que Deus misericordiosamente interferisse — o que, por sinal, ele fez. Mas isto não os perturbava. Uma vez convencidos de que sua atitude estava certa e que a lealdade a Deus assim exigia, como disse Oswald Chambers,2 eles "sorridentes lavavam as mãos quanto às conseqüências".
"É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens!", disseram os apóstolos (At 5:29). "Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão-somente puder terminar a
2Ministro escocês (1874-1917) que veio à fé pela instrumentalidade das pregações de Charles H. Spurgeon, bastante conhecido por seus escritos devocionais. Sua principal obra é Tudo para ele.

corrida", disse Paulo (At 20:24). Era esse precisamente o espírito de Daniel, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, e é também o espírito de todos os que conhecem a Deus. Ainda que possam achar terrivelmente difícil essa determinação de seguir o caminho certo, uma vez decididos, aceitam-na ousadamente e sem hesitação. Não lhes importa se outros que pertencem ao povo de Deus vejam o assunto de modo diferente e não tomem posição com eles (Sadraque, Mesaque e Abede-Nego foram os únicos judeus que se negaram a adorar a imagem de Nabucodonosor? Nenhuma das palavras ditas por eles e que foram registradas sugerem que soubessem do fato ou que ao menos se importassem com isso. Seu curso de ação estava claro para eles, e isso lhes bastava). Com este teste podemos também medir nosso conhecimento de Deus.
4. Os que conhecem a Deus têm grande alegria nele. Não existe paz comparável à da pessoa que tem a mente imbuída da plena certeza de conhecer a Deus, e de que Deus o conhece. Este relacionamento garante o favor de Deus na vida, na morte e para sempre.
Esta é a paz da qual Paulo fala em Romanos 5:1: "Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo", e cuja substância ele analisa completamente em Romanos 8:
Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus [...] O próprio Espírito testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus. Se somos filhos, então somos herdeiros [...] Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam [...] aos que justificou, também glorificou [...] Se Deus é por nós, quem será contra nós? [...] Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? [...] Quem nos separará do amor de Cristo? [...] Pois estou convencido de que nem a morte nem vida [...] nem o presente nem o futuro [...] será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor (v. 1,16, 17,28,30,31,33,35,38,39).
Esta é a paz que Sadraque, Mesaque e Abede-Nego conheciam; Essa era a razão do contentamento e da calma com que firmaram sua posição diante do ultimato de Nabucodonosor (Dn 3:15): "[...] Mas, se não a adorarem, serão imediatamente atirados numa fornalha em chamas. E que deus pode livrá-los das minhas mãos?".
A resposta deles (3:16-18) é clássica: "Não precisamos defender-nos diante de ti" (Sem medo!). "... o Deus a quem prestamos culto pode livrar-nos, e ele nos livrará das tuas mãos, ó rei" (cortês, mas indiscutível — eles conheciam seu Deus!). "Mas se ele não nos livrar, saiba, ó rei, que não prestaremos culto aos teus deuses" (não importa! Não faz diferença! Vivendo ou morrendo, eles estavam contentes).
As tuas mãos dirigem meu destino,
Ó Deus de amor, bom é que seja assim! Teus são os meus poderes,
Minha vida, em tudo, eterno Pai, dispõe de mim!
Meus dias sejam curtos ou compridos,
Passados em tristeza ou prazer, Em sombra ou luz é tudo como queres,
E é tudo bom, se vem do teu querer.
A extensão de nosso contentamento é outro critério pelo qual podemos julgar se conhecemos a Deus de verdade.
Primeiros passos
Desejamos tal conhecimento de Deus? Então, vejamos duas condições:
Primeiramente, precisamos reconhecer como é pequeno nosso conhecimento sobre Deus. Precisamos aprender a nos medir, não pelo nosso conhecimento de Deus, nem pelos dons e pelas responsabilidades que tenhamos na igreja, mas pelo modo como oramos e por aquilo que vai em nosso coração. Muitos de nós, creio, não têm idéia de quão pobres somos neste sentido. Peçamos que Deus nos mostre isso.
Em segundo lugar, precisamos buscar o Salvador. Quando ele estava na terra convidava os homens a acompanhá-lo; desse modo vinham a conhecê-lo e, conhecendo-o, conheciam o Pai. O Antigo Testamento registra manifestações do Senhor Jesus Cristo antes da encarnação, fazendo o mesmo — acompanhando os homens, como o anjo do Senhor, a fim de que pudessem conhecê-lo. O livro de Daniel conta dois fatos que parecem ser dois desses exemplos — pois quem era o quarto homem que "se parece com um filho dos deuses" (3:25), e passeava com os três amigos de Daniel na fornalha? E quem era o anjo que Deus mandou para fechar a boca dos leões quando Daniel estava na cova dos leões (6:22)? Embora o Senhor Jesus Cristo agora não esteja presente em corpo, espiritualmente isso não faz diferença; ainda podemos encontrar e conhecer a Deus buscando e achando sua companhia. Os que buscarem o Senhor Jesus até encontrá-lo — pois a promessa é que se o buscarmos de todo o coração com certeza o encontraremos — poderão levantar-se diante do mundo para testificar que conhecem a Deus.

Tirado do livro: O conhecimento de Deus 
AUTOR:  J. I. PARKER